Pela salvação e preservação do património cultural, histórico e arquitectónico de Sortelha. email - vamossalvarsortelha@gmail.com Telefones de contacto para esta causa - 927 550 653 - 927 550 656 - Petição online http://www.petitiononline.com/Sortelha/
Sortelha, a histórica, a medieval e aquela que os portugueses e estrangeiros procuram nos mapas e um dia visitam porque é uma memória da vida dos nossos antepassados, porque é considerada uma relíquia no conjunto das Aldeias Históricas portuguesas, aos olhos dos que apreciam este património, mesmo antes de entrar nesse mundo medieval, o nosso olhar e os nossos ouvidos vêem e ouvem os movimentos e os barulhos daquelas torres eólicas que são, por agora, máquinas de ganhar dinheiro mesmo estando os seus donos a dormir.
Assim sendo, há razões para pensar que Sortelha está mesmo mais pobre:
Ezequiel Alves Fernandes, responsável pelo Clube Associativo Desportivo dos Trabalhadores da Portucel de Setúbal, natural da Bismula, sabedor da riqueza e das potencialidades turísticas das Terras de Ribacôa, organizou nesta passada quadra pascal uns dias de ócio para os seus amigos do clube. A Localvisão seguiu os turistas e fez uma excelente reportagem. O Jornal Cinco Quinas ( versão on line ) publicou um texto escrito pelo nosso conterrâneo Ezequiel a que deu o nome "Reflexos de uma visita a Sortelha".
Hoje vemos a aldeia de Sortelha rodeada de torres eólicas. Os habitantes, na sua maioria, continuam acomodados e tudo continua como dantes. Alguns turistas também não exteriorizam totalmente os seus sentimentos em relação a este tema. Mas Ezequiel organizou, planeou e levou a sua missão até ao fim. E como raiano que é, escreveu sobre o que viveu nestes dias:
"Em Sortelha encontramos um livro aberto da nossa história colectiva, enriquecida com inúmeros monumentos, merecendo um estudo atento. A aumentar a curiosidade cultural admirávamos uma Exposição itinerante da autoria de João Reis, com peças de granito, espalhadas estrategicamente e com cenário natural adequado por diversos locais desta antiga povoação, que apesar de tudo ainda mantém a sua traça arquitectónica e urbanista primitiva. Pena é que à sua volta estejam a descaracterizar onde já existem eólicas, como fantasmas quixotescos. São os sinais dos tempos?"
Será que já não há volta a dar? A Aldeia Histórica de Sortelha continua a ser invadida e está a ficar cercada por aerogeradores montados no topo de altas torres metálicas. Os promotores e a Câmara apenas argumentaram e nada debateram ficando-se com a justificação de que tudo estava legal e que os distanciamentos das muralhas cumpriam a lei.
A verdade, é que a paisagem ao redor das muralhas medievais foi conspurcada e destruída por homens que têm como objectivo ganhar dinheiro. Queiramos ou não acreditar, o Castelo e a muralha da Aldeia Histórica de Sortelha, tal como os conhecíamos, acabou e resta guardar as fotografias e filmes para memória. A destruição continua e parece que nem a "Cabeça da Velha" escapa.
Estes parques e sub-parques eólicos são investimentos privados. E todos sabemos que o lucro é a razão principal destes investidores. A empresa "Eólicas do Campanário, S.A." é a titular do alvará e a obra tem o seu fim previsto para início do mês de Abril de 2012. O concelho do Sabugal necessita de investidores e de gente empreendedora. Todos concordam com a urgente necessidade de atrair investimentos para esta região. O que eu não compreendo é que pessoas conhecedoras do valor e da importância histórica e patrimonial da Aldeia Histórica de Sortelha, tendo exercido funções políticas nesta aldeia e que por ela tenha lutado, aceite propostas e contribua para a sua destruição. Realmente o dinheiro dá mesmo a volta às cabeças de muita gente...e esquecem dos valores por que andaram a lutar anos seguidos. Que benefícios vai retirar a Aldeia Histórica de Sortelha dos parques eólicos? Será que os lucros de uns quantos compensam aquilo que se destrói?
O futuro irá esclarecer o que a Aldeia Histórica de Sortelha perdeu para sempre.
No próximo dia 30 de Janeiro Sortelha vai realizar a 42ªCaminhada Pelo Interior. Depois de uma quarentena de caminhadas chegou a vez de Sortelha ter a oportunidade de mostrar aquilo que tem para oferecer a quem visita a Vila ( Aldeia Histórica). E tem muitos pontos que merecem a atenção dos que vão participar na caminhada. Ainda está a tempo de participar, tem até amanhã para fazer a inscrição.
O principal objectivo das caminhadas é a divulgação do Interior esquecido. Não se esqueçam de subir ao castelo ou ao campanário e sentirem um sentimento de revolta e incompreensão quando olharem para o exterior das muralhas. Se lhes apetecer, gritem ASSIM NÃO é desenvolvimento harmonioso e respeitador do nosso património.
(Clique com o rato em cima da foto...não aconselhável a pessoas sensíveis aos valores históricos e patrimoniais do nosso país)
«Como filho e neto desta linda terra que vive longe, não consigo deixar de ficar triste. Confesso um sentimento de culpa pela distância e pela incapacidade de poder fazer algo. Não serão suficientes as lamentáveis notícias de incêndios florestais que ano após ano dizimam aquela bonita paisagem?? Como se isso não fosse suficiente, ao invés de se plantarem novas árvores plantam-se estas coisas.... quem ganha com isto???
Não terão proprietários e autoridades locais e população nada a dizer? Ou pensarão que uns míseros tostões que eventualmente recebem pela instalação destas coisas são algo comparado com a riqueza histórica destas paragens... não será preferível a união para transformar esta terra num exemplo ?? (como o de Óbidos) ao invés de retalhar a nossa história???
Como é possível? É um miserável par de unidades que faz tanta diferença à REN, EDP, ou o que sejam, ou ao país»?
Mário, Setembro de 2010
“Se pegarem na energia do vento e a armazenarem, quer por bombagem, quer por utilização da gaseificação a plasma para produção de combustíveis, irão ver que custa menos do que preparar o petróleo. Dirão que o kWh do vento já é suficientemente caro para ser armazenado. Não, o kWh eólico não tem por que ser caro, é caro porque existem os subsídios.
E o exemplo que dou é das lojas de chineses que operam em Portugal. Portugal assinou com a China um tratado em como dá regalias aos chineses que abrirem lojas em Portugal, em troca de poder entrar também no mercado chinês com os seus produtos. Entre essas regalias está o pagamento de metade das rendas das lojas, isenção de pagamento de segurança social por 3 anos aos chineses empregados nas lojas. Muitas são as aldrabices que eles fazem para cá ficar, mas o maior problema é das rendas. Os donos das lojas, sabendo que o governo paga metade da renda, pedem muito mais de renda aos chineses do que pedem a portugueses.
Os fabricantes de aerogeradores também, sabendo que há subsídios, pedem muito mais pelos aerogeradores do que eles realmente valem.
E o mesmo acontece também com a indústria farmacêutica. Sabendo que o estado paga, pedem muito mais pelos medicamentos. Escandaloso? Sim, os subsídios é que são um escândalo. Mas há a tendência de culpar os exploradores que apenas seguem o mercado. Eu, por exemplo, que sou diabético, pago 3,58 euros por 50 tiras do glicosímetro mas se comprar sem receita pago 23 euros. O estado (nós, povo) paga cerca de 20 euros às farmacêuticas por cada caixinha de tiras!!!!!!!!!
É o que acontece com as «energias renováveis» subsidiadas também.
Em 27 de Maio deste ano, este Aviso não avisava de nada.
Aviso a 27 de Maio de 2010
Chamámos à atenção deste facto e quando a 5 de Agosto voltei ao local, encontrei este:
Aviso a 5 de Agosto de 2010
Leram bem o que está escrito?
Quem é o titular do Alvará?
A União Europeia tem até 2013, milhões de euros de subsídios para distribuir pela indústria das eólicas. A energia é ecológica e amiga do ambiente, mas também atrai charlatães de todos os tipos. Alguns conseguimos saber quem são, mas outros ninguém os conhece.
As autoridades espanholas, francesas, italianas e alemãs têm andado muito ocupadas nos últimos meses.
Reportagem do International Herald Tribune:
"Esta e outras investigações que decorrem na Europa trouxeram a lume abordagens, por vezes desgovernadas, do sector eólico, em rápido desenvolvimento. Com mais de seis mil milhões de subsídios estruturais e agrícolas reservados para energias renováveis, por um período de 13 anos que termina em 2013, esta relativamente nova área de actividade a que os peritos dão o benefício da dúvida, porque tem uma imagem amiga do ambiente aparentemente acima de qualquer crítica, dispõe, pois de um pecúlio atraente.
As autoridades dizem que é impossível determinar o nível de fraude na despesa pública passível de ser relacionada com a energia eólica, porque as investigações estão distribuídas, nos diferentes países, entre polícia fiscal e regional. Os críticos dizem que os controlos de fundos dispersos são um incentivo para que uma multidão de políticos e empresários corruptos extraia dinheiro fácil… ao sabor do vento.
Os investigadores têm estado bastante ocupados nos últimos meses. Cinco nacionalistas corsos foram detidos e obrigados a repor 1,54 milhões de euros de subsídios europeus para parques eólicos. Em Itália, decorrem três investigações e foram detidas 15 pessoas no mês passado, numa operação a que a polícia chamou "E tudo o vento levou". É descrito como um esquema complicado, do tipo Dona Branca, e que desviou 30 milhões de euros de apoios da UE.
O esquema é elementar: uma turbina normal de dois megawatts custa cerca de 2,75 milhões a construir e produz cerca de 275 mil euros por ano em venda de electricidade a preços de mercado. Mas esse rendimento pode quase duplicar, com os incentivos estatais especiais como prémio às energias renováveis. Em muitos países, os produtores de energia eólica estão a receber tarifas da alimentação – prémios especiais acima do valor de mercado como bónus para a energia renovável – ou taxas especiais por contratos de 15 a 25 anos.
Richard Robb, investidor em parques eólicos em França e na Alemanha, diz que, mesmo sem ventos muito enérgicos, essas tarifas representam um rendimento confortável para os accionistas. Na Alemanha, o seu parque eólico recebe cerca de 83,6 euros por megawatt/hora, quando o preço no mercado livre varia entre 30 e 70 euros – um retorno de 15%.
Nas Ilhas Canárias, onde há 44 parques, os dois casos que conduziram à detenção dos funcionários públicos e empresários, com acusações de tráfico de influências e corrupção, foram apanhados graças a milhares de escutas telefónicas. Os investigadores da Guardia Civil escutaram conversas que envolvem os empresários de Santa Lucía e os funcionários municipais, acusados de urdir um negócio secreto para transformar terrenos privados perto da praia de Pozo Izquierdo em terreno municipal – porque era maior a probabilidade de os subsídios serem concedidos para parques eólicos em terrenos públicos. Estavam em jogo quase 40 milhões de euros de um fundo de apoio da UE aos territórios periféricos de Espanha.
Investigações similares estão a decorrer na Sicília, berço do aproveitamento público da energia eólica em Itália. A operação "E tudo o vento levou" fez com que as autoridades descobrissem um elaborado esquema para receber fundos da UE, diz o coronel Mario Imparato, da Guardia Financeira. O esquema envolveu uma elaborada rede de empresas do ramo; uma conseguia obter fundos da UE, usava uma parte para a construção e punha o resto fora de Itália. As empresas no estrangeiro mudavam o dinheiro para outra empresa que se candidatava a um novo fluxo de subsídios da UE.
Uma investigação separada, com o nome de código "Aeolus", na zona ocidental da Sicília, conduziu à detenção de sete pessoas, com julgamento marcado para Janeiro. Neste caso, o Ministério Público alega que o crime organizado limitou-se a adaptar técnicas antiquadas, como subornos, para fazer dinheiro com a nova fonte de energia. Isso incluiu 75 mil euros e um Mercedes dados a um vereador para votar a favor de um parque eólico".
E o que se passa em Portugal? Seremos todos bons utilizadores dos subsídios europeus?
QUANTO CUSTAM AS EÓLICAS AOS PORTUGUESES?
QUANTO CUSTARIA DEIXAR DE TER EÓLICAS À VOLTA DA ALDEIA HISTÓRICA DE SORTELHA?
As eólicas estão a crescer no nosso país, porque o Governo garante a venda da electricidade produzida, mesmo que ninguém a compre.É nada mais nada menos que mais uma dívida escondida e que todos os portugueses vão ter de pagar aos senhores que investiram nas torres eólicas.
AS CONTRADIÇÕES DO PRESIDENTE DA CÂMARA DO SABUGAL
Em 15 de Abril declarou ao Jornal “Interior” isto:
«Embora seja uma preocupação legítima, não será da população em geral, mas antes de um círculo restrito de pessoas», reage o presidente da Câmara do Sabugal. António Robalo refere que a autarquia licenciou o parque depois de terem sidos agregados todos os pareceres necessários, que, «como se sabe, requerem grande rigor». De resto, o terceiro parque eólico do concelho foi entregue ao consórcio Eneope «depois do Governo lançar concurso público, e faz parte de uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável», lembra. Trata-se de um investimento de 130 milhões de euros e abrange, além de Sortelha, as freguesias de Águas Belas, Pousafoles do Bispo, Penalobo, Bendada e ainda Benespera (concelho da Guarda) e Maçaínhas (Belmonte). No total, está prevista a montagem de 50 torres eólicas”.
Na entrevista dada ao “Capeiaarraiana” esta semana respondeu desta forma:
– O que pensa da decisão do licenciamento do parque eólico no campo visual da Aldeia Histórica de Sortelha?
– Vou responder como Presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Os processos dos aerogeradores do tipo torre eólica estão normalizados e quando entram nos serviços camarários obedecem, normalmente, a todos os requisitos legais e são de fácil aprovação. Desde que a empresa apresente no processo instrutório os documentos de todas as entidades exigidas por lei as autarquias não tem qualquer forma legal de impedir a aprovação e licenciamento dos projectos.Agora é evidente que no caso de Sortelha seria interessante saber se há pareceres adicionais de técnicos da área do Ambiente ou do IGESPAR ou de entidades ligados aos monumentos nacionais. De qualquer forma tive, recentemente, a excelente notícia da Tecneira, empresa que é responsável por dois parques eólicos no concelho – Soito e Malcata – que vão acrescentar mais 11 aerogeradores nas duas localidades. O processo foi-me entregue em mãos, chamei a directora de Planeamento e Urbanismo da Câmara que, depois de analisar os aspectos técnicos e se tudo estiver conforme despacha favoravelmente. Os acessos aos parques eólicos criaram oportunidades, por exemplo, para um centro interpretativo da energia ao longo da história que podia ser feito num percurso ao longo das sete eólicas de Sortelha.
Ler aqui: http://capeiaarraiana.wordpress.com/2010/07/27/grande-entrevista-a-antonio-robalo-2/
O que vemos e sentimos em Sortelha é a paisagem a ser destruida, rasgada e alterada com a implantação das torres eólicas. Não há dó nem piedade. Eles mandam e quem for contra é considerado "indesejado" na terra e "causador de problemas". Infelizmente, nas nossas terras raianas quem tem poder, seja de que género for, as suas ideias e decisões são seguidas e defendidas com unhas e dentes, mesmo que essas decisões sejam precipitadas e egoístas. E, segundo as palavras do presidente Engenheiro António Robalo, "os parques eólicos criaram oportunidades, por exemplo, para um centro interpretativo da energia ao longo da história que podia ser feito num percurso ao longo das sete eólicas de Sortelha", outra oportunidade que foi criada é a de "as acessibilidades construídas para chegar às torres poderem ser utilizadas em situações de prevenção e combate a incêndios". Mas que ideias tão, tão oportunistas, tão espectaculares!
Hoje a Câmara Municipal realiza a sua Reunião na Aldeia de Sortelha. Cuidado com os explosivos que estão a ser utilizados nas obras do parque eólico, é que assustam e fazem tremer as entranhas da montanha enfurecem os amigos de Sortelha. Dói ver destruir aquilo que estava bem feito.
Sortelha, uma aldeia medieval, histórica e razoavelmente conservada, está a sofrer um violento ataque à sua volta. As muralhas e o castelo ainda têm pedras para resistir aos ataques vindos dos montes. Pelo contrário, Kim, aquele que despertou o povo e tocou os sinos do campanário não lhe restou senão abandonar a aldeia e asilar-se bem longe, pois nem mesmo no seu "bardo" conseguiu refugiar-se.
Sortelha é terra de Portugal, é terra do mundo. As pedras também falam e são mais duradouras e depois de as calcarmos quando andamos na aldeia, todos, menos os gananciosos, sentem a dor que as torres eólicas vão causar Sortelha.
A revista "Contrabando" publica no seu terceiro número uma entrevista feita a Dom Duarte de Bragança. A dada altura o jornalista quer saber a opinião de Dom Duarte acerca do património, da história, das tradições. Vale a pena dar a conhecer o pensamento deste "herdeiro luso" da monarquia que no meu entender foi decapitada sem dó nem piedade pela república e vejam ao que chegámos!!! Quem se preocupa com a paisagem natural e a construída? Quem deixa construir "os piores mamarrachos" ao lado da aldeia histórica,medieval, de Sortelha?
Sortelha: continuamos a defender o património
Contrabando - Qual a sua opinião sobre a historia, o património, as tradições e cultura linguística, perante a presente globalização económica e a mundialização sociocultural?
Dom Duarte-Quanto mais civilizado e desenvolvido é um país, mais as suas gentes se preocupam em preservar estes valores porque percebem que se estes forem perdidos
ficariam todos muito mais pobres.
Um aspecto que tem sido muito desprezado é que de facto só no Douro e Açores é que é tomada em consideração o conceito de paisagem. Os institutos e entidades estatais protegem (mais ou menos) alguns monumentos masninguém se preocupa em proteger a paisagem natural e a construída e por isso grande parte do território nacional encontra-se muito desfigurado tendo caído numa decadência 3º Mundista.Ao lado de monumentos belíssimos deixam construir os piores mamarrachos até em locais tão importantes como a Torre de Belém ou a Sé do Porto, aldeias medievais desfiguradas por casas de emigrantes ou monumentos desfigurados por obras dearquitectos atrevidos, ignorantes ou sem qualquer respeito para com a nossa memória construída. A única alternativa possível é a de iniciativas como a do vosso Jornal, Associações, Movimentos Culturais, algumas Câmaras Municipais mais esclarecidas liderarem um movimento para o respeito e protecção da nossa paisagem e memória do nosso futuro.
Contrabando - Fala-se de economia sustentável, de ecologia e de bem-estar, como conjuga estes três factores?
Dom Duarte -Estes 3 factores são complementares e cada vez mais importantes para termos um futuro viável. A liberalização descontrolada do comércio Mundial está a arruinar regiões e povos e tem que ser controlada usando critérios como estes que referiu.
Importar o mesmo que se produz local ou nacionalmente é errado sobretudo quando se pensa na poluição provocada pelo transporte desses produtos ou quando são produzidos em países que não respeitam o ambiente e os Direitos Humanos. Mas temos que começar por ser nós próprios a fazer as escolhas certas quando compramos produtos
Acaba de ser editado o "Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal". Este guia foi apresentado no passado dia 10 de Junho, em Trancoso, concebido e produzido pela "Olho de Turista", membro da Associação do Desenvolvimento Turístico das Aldeias Históricas de Portugal. Trata-se de um livro que divulga percursos, receitas e oferece descontos. A obra promove as 12 aldeias históricas portuguesas e Sortelha é uma delas. O novo guia divulga diversas áreas: infra-estruturas, recursos turísticos, património, artesanato, produtos típicos,tradições...como já referi, inclui talões de descontos, por exemplo, nas dormidas e refeições em diversos estabelecimentos.
O Guia tem mais de 350 páginas e tem um custo de 16 euros.
A aldeia histórica de Sortelha possui um património de infinita riqueza. Este património pode funcionar como motor de desenvolvimento da região. Reconhecer o valor do passado, proteger e valorizar o seu património histórico, rural, cultural e paisagístico, torná-lo mais conhecido e até interactivo é uma das tarefas das entidades oficiais e da população de Sortelha, que deve ter orgulho no valor que a aldeia realmente tem. "...Não vendam, disse-lhes, a herança que os nossos pais nos deixaram. Nela está escondida um tesouro. Não sei onde, mas com um pouco de trabalho descobri-lo-ão..." ( Jean de La Fontaine, Fábulas )
Falar Claro, é o título da crónica da autoria do senhor João Valente, colaborador do blog Capeiaarraiana em que o autor fala claro acerca das Torres eólicas que estão a ser montadas na envolvente à Aldeia Histórica de Sortelha. Eis parte desse artigo de opinião:
Sortelha é uma aldeia medieval, que proporciona aos visitantes uma viagem no tempo, ao passado medieval. É nisto que consiste a grande e rara riqueza de Sortelha, a sua alma, e faz dela a jóia rara, que é património não só dos seus habitantes, como de toda a comunidade municipal.
Construir torres eólicas no seu perímetro amuralhado, ou à vista dele, fora do contexto da época histórica para a qual a aldeia nos remete, é tão ridículo como ver aviões a jacto num filme sobre os meios de transporte do século XIX. O realizador que tivesse este devaneio criativo, sujeitava-se à chacota pública, pelo caricato e estupidez da situação. Quem via um filme tão mau?
Pois as eólicas nas condições de Sortelha, matam a razão da sua existência, porque são completamente anacrónicas naquele contexto espacio-temporal, como os jactos no filme sobre meios de transportes do século XIX. Nenhum turista quer viajar a um passado medieval que uma autarquia permitiu reinventar com umas modernas torres eólicas. O conceito turístico «viagem ao passado medieval» pura e simplesmente fica destruído com isto. Passa a ser ridículo chamar a Sortelha «aldeia histórica». Com as eólicas já não é medieval e histórica, mas do século XXI e actual… Percebem ao menos isto?
Construídas as eólicas, bem podem derrubar também as muralhas, que já lá não estão a fazer nada. Aproveitem a pedra e vendam-na também para Espanha, como a electricidade!
É um resultado tão nefasto, que «Es gran servicio […] quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra».
Meus amigos, este crime que estão a fazer a todo o concelho, nem a falta de educação de que falei, o justifica. Cada indivíduo, independentemente da educação, porque é livre, tem a faculdade de escolher entre o bem e o mal, entre o dever e o egoísmo…
A responsabilidade deste crime, é por isso, tanto colectiva como individual! Que ninguém lave dela as mãos como Pilatos…
Se deixarmos erguer estes moinhos de vento no rico passado histórico de Sortelha, como fatalidade inevitável da falta de educação de uns quantos Sancho Pança, «nem somos homens, nem somos nada!»
Por isso interpelo cada um dos Sabugalenses: «Si tienes miedo, quítate de ahí, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla»! «Arroz com Todos», opinião de João Valente Nota: Aconselho a leitura completa do artigo e respectivos comentários aqui:
http://capeiaarraiana.wordpress.com/2010/06/02/falar-claro/
Nasci em Belmonte, mas fui criado em casa de uma avó em Sortelha. Emigrei há mais de 40 anos para a França e assino este jornal há 20 anos. Leio com atenção e o que me leva a escrever é sobre a construção de um parque eólico junto à aldeia histórica de Sortelha, no concelho do Sabugal. Temos que impedir a construção da obra. Em causa está o legado patrimonial e histórico daquele lugar.
Em causa está a montagem de sistemas de produção de energia eólica nas serranias daquela aldeia da Beira Interior. Tudo, porque «os parques em instalação vão destruir de forma irreversível» a envolvente desta aldeia. Todos temos o dever de preservar o legado patrimonial e histórico que a todos pertence, temos também a obrigação de o proteger e valorizar para que as gerações futuras possam aprender a vida dos seus antepassados. Sei que circula na aldeia uma petição. Essa petição nasceu porque perceberam os moradores que iriam ser colocadas junto das muralhas um parque eólico e que a destruição ambiental da aldeia histórica de Sortelha iria ser uma atroz realidade.
Impedir a destruição do património em causa é fundamental e com os apoios dos amigos de Sortelha dos emigrantes estamos em crer que esta é uma causa de todos e que as eólicas têm que ser colocadas noutro lugar, pois serranias não faltam.
Sortelha tem um ambiente único que se caracteriza por remeter para a época medieval, estar em Sortelha e contemplar este ambiente é como viajar no tempo a colocação destas eólicas a pouca distância, vem criar um anacronismo ambiental de tal modo destrutivo que impedirá que alguém se sinta nesse ambiente para que a aldeia remete. Este projecto contempla a instalação de 50 torres eólicas em todo o concelho do Sabugal, sendo que, ao todo, são 17, as que afectam a aldeia de Sortelha. Sortelha tem uma importância única no panorama das aldeias históricas, pela sua arquitectura - totalmente em pedra de granito, as casas são como eram na época medieval – e, por isso, será talvez a aldeia que a nível nacional mais representa esta arquitectura.
Como conjunto de defesa muralhado tem um passado histórico de grande relevância no contexto da história nacional.
Sortelha na Idade Média e antes do tratado de Alcanices era a última localidade antes da fronteira, que era definida pelo rio Côa, enquanto o Sabugal pertencia ao reino de Leão, foi um dos mais importantes pontos de passagem para quem demandava Leão ou no sentido contrário Portugal. Além disso, existem aspectos que ainda estão em estudo, mas que nos fazem crer que Sortelha desempenhou um papel importantíssimo na história da Diáspora Judaica quando da fuga dos judeus aos Inquisidores.
Estão a ser trazidos à luz importantíssimas descobertas que nos levam a crer que Sortelha, a par de Belmonte, teve uma importante comunidade judaica, que se perdeu na voragem dos tempos e que deixou marcas que agora estão a surgir à luz de novas interpretações.
Sortelha pode ser uma importantíssima porta de entrada para quem demanda esta região em busca da autenticidade histórica. Vamos todos salvar Sortelha e enviar o nosso protesto para Câmara do Sabugal.
Fernanda Manuela Matos Esteves, actual Presidente de Junta de Freguesia de Sortelha, declarou à uns dias na TVI que estava surpreendida com a localização das torres eólicas junto à aldeia e falou em "choque paisagístico." Mais surpreendido ando eu e outras pessoas, pois desde 2005 que Fernanda Manuela Matos Esteves exerce funções na junta de Sortelha. No anterior mandato, presidido pelo senhor Luís Paulo, a actual presidente de junta exerceu o cargo de "secretário" e agora, nas eleições de 2009 foi eleita Presidente de Junta de Freguesia. Ora, todos sabemos que as competências de uma Junta de Freguesia são muitas e que se reúne regularmente ou extraordinariamente para tratar dos assuntos da freguesia. Lembro que desde 2005 que o Tesoureiro da Junta tem sido sempre a mesma pessoa, ou seja, o senhor Manuel Reis Gonçalves.
Como é que é possível que os elementos da Junta não conhecerem os projectos da mesma?
Como é que, em nome da Junta de Freguesia de Sortelha, foram dados pareceres favoráveis à construção do parque eólico e as pessoas que integram essa mesma Junta depois afirmarem que estão surpreendidas?
Surpreendido fiquei eu!
Nós não podemos deixar que Sortelha seja destruida,
Hoje, 18 de Abril de 2010, celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Desde 1982 que o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, com a aprovação da Unesco, dedica este dia aos monumentos e Sítios de todo o Mundo.
Este ano, o tema escolhido foi "Património Rural/Paisagens Culturais". A iniciativa serve para dar a conhecer um património que a todos cabe preservar. É mais uma oportunidade para descobrir o património rural e as paisagens culturais do mundo, do nosso país, do nosso concelho e aumentar a consciência pública relativamente à diversidade do nosso património e aos esforços necessários para o proteger e conservar e alertar para a sua vulnerabilidade.
Este ano, a Câmara Municipal do Sabugal, ao contrário do ano passado, aliou-se completamente deste dia. É uma oportunidade perdida para sensibilizar as pessoas acerca da diversidade e da importância do nosso património local e da necessidade que há em protege-lo dos diversos ataques de que é vítima.
Em Belmonte, realiza-se uma Caminhada Pela História; em Celorico da Beira, há visitas Guiadas à Casa do Mundo Rural e a uma queijaria e a um moínho de água; no Fundão, realiza-se uma Caminhada Eco-arqueológica pela Serra da Gardunha; em Pinhel, vai fazer-se um Percurso Histórico-Artístico; em Fornos de Algodres, realiza-se a 5ªEdição das Jornadas Etnobotânica; na Covilhã, Visita à Tapada do Dr.António e em Freixo de Numão, vai organizar-se uma Visita Guiada ao património da Freguesia e à Quinta do Vesúbio.
E no Sabugal?
Bom, hoje decorre o 2º dia do Campeonato Nacional de Pesca e os jovens reúniram-se ontem para conviver, cantar e rezar juntamente com D. Manuel Felício e muitos sacerdotes e Leigos comprometidos na divulgação da mensagem cristã.
Talvez esteja aqui explicada a actual política cultural seguida pela Câmara Municipal do Sabugal. É fácil dar de comer a quem tem fome. Lá diz a sabedoria popular: "Se vires um homem com fome à beira dum rio, não lhe dês de comer, ensina-o a pescar".
"Sortelha é um belíssimo exemplo de uma Aldeia Medieval. Embora apresente alguns erros de intervenção e até de salvaguarda, no seu todo podemos considerar que tem sido poupada de agressões irreparáveis. A sua cintura de muralhas é o que resta de um sistema defensivo activo que chegou a Portugal a partir de meados do século XII, com os Templários e o seu mestre Gualdim Pais. A Sortelha falta um Estudo Histórico elaborado com metodologia científica, capaz de divulgar o seu percurso histórico ao longo dos tempos, que já são longos. Tal estudo deverá incluir uma área circundante a determinar. Isto, Sr. Presidente da Câmara, contribuirá para o progresso sem estragar o que quer que seja. Vamos pensar na responsabilidade que temos com o Património que nos legaram e fazer dele um activo valioso para a economia. Sortelha é demasiado valiosa para se deixarem de considerar algumas opções possíveis. As torres eólicas encontrarão outros locais onde não afrontem valores históricos milenares de pertença colectiva".
Comentário escrito porJosé António Quelhas Gaspar,(Medievalista e Técnico de Património Cultural) e assinante nº 258 da petição on line "Vamos Salvar Sortelha"